quarta-feira, 9 de abril de 2014

Androide Paranoico


Terminamos.
Você saiu para se buscar
Eu fiquei na minha vida.
Você se perdeu mais uma vez.
Eu ri e sentei na beira da calçada do meu medo de sentir sua falta.
Você andou em voltas, olhou para o céu e disfarçou quando pensou em mim.
Eu beijei outra garota, fiquei encantada, mas quando o efeito passou, a minha bad trip dizia o seu nome.
Você jurou amor a novas e duvidosas amantes, mas não conseguia acreditar em si mesma.
Dialogou com pessoas que não te absorviam, mas precisou desabafar.
Me odiou em silêncio, quis me jogar no esgoto dos seus sentimentos. Você falhou.
Eu senti um nó na garganta. Respirei fundo, olhei para o lado e vi a tal garota que me encantou. Ela é legal, mas não me conhece como você. Ela é legal, mas não tem aquela ligação estranha que temos. Ela é legal, mas... Não poderia me tocar no lugar mais estranho da minha alma como você fez. Acho que é só sexo mesmo.
Você tentou ser outra pessoa, mas como poderia querer ser diferente se suas atitudes permaneciam as mesmas? Você se sentiu triste, mas ignorou, decidindo assim manter as coisas como estavam.
Eu acordei estranha, com ideias incompletas. Desejei coisas que não faziam sentido, mas qualquer coisa era melhor do que desejar você. Seu rosto me dava nojo.
Você lembrou do meu beijo, do calor do meu corpo e de como conseguíamos transformar um único momento em milhões de razões pra sorrir de graça.
Eu ameacei chorar um pouco, mas segurei a onda. Decidi que seria forte, ainda que estivesse cambaleando por dentro.
Você achou que merecia se divertir e foi buscar seus sonhos em conserva, nas mãos dessas vadias pra quem você dá e come.
Eu te odiei e te achei ridícula. Te vi no shopping e quase aplaudi a sua cara-de-pau. Apenas disse “oi” por ironia.
Você fingiu não me ver. Me respondeu o  “oi” como se eu fosse o sarampo em pessoa e pudesse te contaminar instantaneamente.
Eu me senti estranha, mas com fome e almocei com um tipo de apetite diferente.
Você ficou com a minha imagem na cabeça, mas tentou fingir que não estava nem aí, pra si mesma.
Eu senti desejo pela loira que conheci, mais uma vez. Acho que ela era meu para-raios naquele momento ou talvez apenas uma boceta que me dava arrepios de tão gostosa. Ela é difícil, sabe? Acho que é isso que me instiga.
Você se sentiu vazia e comeu uma daquelas porcarias que só te fazem engordar. Você olhou pro seu cachorro tentando buscar alguém ou alguma resposta, de alguma pergunta que você ainda não sabia como fazer para si mesma.
Eu decidi me afastar de vez do convívio de pessoas que me deixassem beirando um transtorno psíquico, isso incluía você também. Eu estava muito estranhamente intoxicada pela essência da loira lá.
Você se sentiu superior e fez mais besteiras. Mas no fim você só queria colo e atenção de alguém que te entendesse. Você quase sentiu saudade de mim, mas se policiou.
Eu tentei me convencer de que tudo que aconteceu entre nós foi uma mentira e que na verdade eu nunca gostei tanto assim de você. Eu falhei.
Bom, você, onde está agora e/ou o que está fazendo, eu não sei, prefiro ignorar e não trazer pra dentro de mim. Não sou gestante do ciúme nesse caso, pois já abri mão de você toda, entretanto, a lacuna da sua presença e de tudo o que você me representava, me persegue e com isso não aprendi a lidar ainda.
Passei a ouvir Radiohead com mais intensidade, na ideia de escrever a canção ou texto que expressasse o que sintia e olha, eu acho que consegui.

Você nunca irá ler isso, porque não merece. Mas foda-se, terminei! 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Coração virtuoso

A cauda do elefante

A todo e qualquer tempo no universo
Levaria o tempo de uma eternidade
Só para poder mais uma vez segurar a sua mão
Doce cauda de elefante
Eu vi meu mundo todo desabar e renascer
Só por um segundo eu não pude mais falar

E então surgiu você
Intrigante, entre nuvens flutuantes
Meu coração era o céu, sabe?
Eu não consegui mais me segurar
Era muita energia para um corpo só
Era muita luz para um dia só

O sol se retirou por compaixão

Havia sutis caracóis
Desenhados em suas costas
Como espirais que te envolviam e te engoliam
E eu assisti a tudo isso
Da distância do meu mundo
Só para não atrapalhar o processo

Você linda demais
De um jeito só seu
Que eu juro respeitar
Mas eu tento fugir
Porque perco a força em minhas pernas quando você chega

E eu não saberia explicar
Mas você então vem e faz tudo ficar diferente
Como se nada tivesse sido plantado antes
Como se nenhuma língua antes tivesse sido falada
Até você respirar e começar a sorrir

Hoje sou seu rei
Mas moro na rua dos meus pensamentos
Temo os buracos que beiram as esquinas
E me sinto livre sempre que posso escutar sua voz
Minha doce, suave menina...

Eu só queria experimentar essa lisergia toda só mais uma vez...

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Ouço o barulho do mar e vejo você saindo de dentro dele

Riscos

Eu aqui, deste lugar em que posso te olhar melhor
Longe de toda interferência
De toda a força que você faz pra nos manter longe uma da outra
Como se a distância imposta por você realmente nos afastasse
E eu realmente agradeço a Deus nos dias em que acordo sem
Sentir o quanto eu gosto de você
Porque é tão confuso
Que eu já enlouqueci três vezes desde que te conheci
Até hoje me vejo fazendo coisas
Que as pessoas mais apaixonadas ainda não experimentaram
Estou jogando moedinhas em uma fonte imaginária
Te pedindo de presente no meu aniversário
Mas seria um presente tão caro
Que o meu coração tão pobre
Não sabe se poderia pagar
Porque conquistar você demanda muita riqueza
Eu fali algumas vezes tentando fazer você me olhar de verdade
Você realmente foge de tudo o que eu trago dentro de mim
Porque o fogo que se põe aqui dentro
Te queima mesmo a distância
Você chega perto de mim em brasas
Porque eu sei como queimar você
E assim, nosso coração
Vai virando carvão
Enegrecendo
Perdendo tudo
Ganhando tudo
E você me empurrando para longe de você
Da sua vida
E eu sempre te procuro nos lugares
Porque acho que no fim da noite
Eu serei aquela que vai te salvar
Dos riscos que você mesma
Preferiu correr
E além do mais
Eu sei o que te aflige
O que te atinge
E agora só temos o que recebemos
Mas perdemos muita coisa pelo caminho
Você me entende
Estamos numa jangada
Que está nos levando para o infinito
E você prefere ficar porque ir longe demais
Pode não ter volta
E no infinito ninguém pode te tirar de mim
Sabemos tão bem
Que corremos os riscos os riscos
De não nos arriscamos
E riscamos todas as chances
Nos perdemos demais
Perdemos para os riscos
Eu me arrisco
E você corre
Sem olhar pra trás
Onde eu estou
Te chamando
Pedindo pra ficar
Você faz seu coração bater mais devagar
Pra não sentir a minha energia tomando seu corpo
Estou no meio do caminho
E você já se foi
Pra qualquer lugar
Qualquer lugar que eu não possa entrar
Mas você vai até a janela
Me ver passar
Porque sabe que eu vou te achar
Então enquanto o tempo passa
O mundo muda
Vou vivendo para mim
Te deixando no ostracismo
E pedindo a Deus que eu permaneça amanhecendo assim,
Sem lembrar de como é te sentir
Porque às vezes é tóxico demais

E eu te dei o que você quis 

sábado, 15 de junho de 2013

Guarda-roupas particular

Nunca se sabe então
Quando será a última vez
O frio vai percorrendo a espinha
Deixando seus rastros de medo
De sentidos não usados por corpos
Que se disfarçavam de algemas
Traída ilusão
Vontade de não se deixar separar mais
Invisível liberdade
Decaídas em versos
Múltiplas facetas e o espírito em desordem
Você sem juízo
Acenando e sorrindo pra mim
Como quem já sabe o fim da história
No meio do milharal
E foi lá que te amei pela primeira vez em sonho
Te despi e coloquei tuas vestes em meu guarda-roupas particular
Alinhei nossas ideias
Amarrei nossas costas
E uni nossos seios
Lhe penetrei pelo meio
Cacei teu fundo
Capturei teu recheio
Hoje sinto teu mais puro gosto
O teu suprassumo saboreio
Foi só um dia de loucuras
Foi um dia de veraneio
Belas curvas encontrei em tuas estradas
Minhas vaidades tão turvas
Me fizeram me identificar em tuas entradas
Enverguei meus caprichos
Acenei para a covardia
Você não viu
Sentei sobre a calçada dos apaixonados
E desenhei mil corações abandonados
Voando sem destino
Presos a sentimentos que já haviam partido fazia tempo
Enviei ao mundo minha resposta
Continuei indiferente aos casulos emocionais que se abrigavam em minha alma
Quis ser só tua
A ponto de não ter mais pelo que existir
Quis me dar nua
Pra que você não pudesse mais resistir



quinta-feira, 13 de junho de 2013

Então, ela é linda, me lembra rios de flores perfumadas que se jogam suavemente sobre minha cama, afim de fazer amor comigo até que eu perca as minhas forças. Ela me chama de amor, e eu despejo sobre a mesma, a minha máxima concentração de vida, desejo, meus intervalos de loucura, meu prazer e o que eu joguei fora das minhas temporadas de solidão. Meu inverno sutil e frio, minha primavera de flores vivas de Amsterdã, meu outono de eucaliptos e meu verão de brasas e magmas.
Ela mostra para mim a dimensão de literatura que nem os grandes poetas, romancistas e dramaturgos poderiam escrever. Nos olhos dela e na ponta de seus dedos, ela vê e tateia em alto relevo as minhas cartas, meus versos, minhas poesias que vagam e divagam sob minha pele, e que se misturam às minhas veias na intenção de seguir até meu coração.
Bebo sua vida nas breves poças que ela derrama em minha boca. Ela hidrata a minha sede, a minha necessidade por diversão, vida, afeto, proteção. A loucura dela me fortalece, me da a espera, a continuidade. Não vejo o que vem de dentro daqueles olhos que lançam a mim seus mistérios. O seu olhar é um trabalho de parto, ela pare pelos olhos e deles nascem a expressão mais linda que já vi.
Quando mergulho naquele lago de palavras que não estão preparadas para serem ditas, eu deixo a correnteza me levar, pois sei que de alguma forma perversa e visceral, irei parar dentro de seu túnel, de seu corpo, darei volta em torno de coração, para quem sabe assim, um dia ela me convidar para entrar.
A lua que nos olha, lança um fogo que queimaria até o sol, pois nós duas somos astros e rainhas, somos maiores e mais intensas. Engolimos as certezas e desperdiçamos o tempo para que ele se nivele a nós.
Cantamos canções que ainda nem sequer foram escritas, conhecemos o futuro, pois o farejamos de antemão. Nossa ligação é mais que cármica, é celular, estamos no mesmo grupo, na mesma viagem sem direção.
Não gosto de brincar com palavras que se levam a sério demais, pois elas seriam capazes de me cobrar atitudes e verdades que ainda não foram transcritas para o papel de nossa relação. Entretanto, o que vem de mim e sai, vai até ela e me beija, me lambe e me joga no chão, de joelhos, para que eu sacie sua libido, é aquilo que o mundo aprendeu a chamar de amor. O meu amor é meu, é dela, é nosso e ninguém jamais seria capaz de vê-lo, tocá-lo, senti-lo, porque ele é feito sob medida. Esse amor tem nossas cores, nosso DNA, nossa saúde, nossa arte, nossa morte.
Não a quero presa a mim, eu a quero livre em mim, para que sejamos uma só, sem misturas, apenas um fato, uma constatação infame, dispersa, lunática e vulgar.
Nossos arroubos exibem esferas que giram e nos encantam. Meus sentimentos de fraqueza vegetam e dormem nas mãos dela.
Somos colibris em voo livre, de mãos dadas e suadas. Nos desprendemos da realidade como libélulas e abraçamos o mundo como leoas.
Se posso viver com ela assim, que outro tipo de vida, poderia eu estar interessada em viver?

Essa resposta ainda não foi criada. 

domingo, 9 de junho de 2013

A flor

O que foi, flor?
Se deixou anoitecer por baixo desse manto negro?
Engoliu a poeira do tempo?
Ficou no ostracismo e agora quer falar de morte?
O que houve, flor?
Sentiu na ponta dos dedos os calos afetarem seu tato?
Vagou no frio do inverno da solidão?
Esperou nas horas um intervalo que lhe preenchesse os minutos?
Virou pétala sobre pétala
Quis murchar ao meio-dia, desceu sobre os braços de seus talos
Caiu em desgosto
Lançou ao mundo uma novidade. Gritou e reuniu a todos: chamou seu deus mor.
Pulsante gineceu que deu a vida outras cinquenta flores
Hoje está no extremo do abandono.
Livre sobre o pomar e sob o céu que joga as suas gotas de compaixão
Amou a derradeira, amou a inesquecível, amou a mim.
Transferida da dimensão dos loucos
Veio me encontrar e pedir abrigo.
Lhe evitei, fugi de seus olhos, mãos, garras e línguas.
Fui seduzida pelo canto, pela voz e pelo cheiro.
Ah, flor, por que veio parar aqui?
Como me encontrou?
Houve peregrinação da parte de suas raízes?
Onde ficou instalada em você a moral que lhe fez planta?
Vivia entre os caminhos agonizantes, em belos jardins artificiais.
Uma lágrima em forma de orvalho lhe escorreu ramo a baixo
Mudou seu entardecer e camuflou velhas feridas.
Espinhos que mal podados destruíram seu coração frouxo e desusado
Maquiada durante várias e intermináveis primaveras
Quis por fim ser bem-me-quer e mal-me-quer nas mãos de jovens românticos frustrados
Ousou cobiçar o suicídio e durante as ventanias espatifava suas doces pétalas no chão.
Foi ficando feia, foi envelhecendo e conhecendo a dor da falta de saúde.

E então não restou mais nada, mingou, dobrou-se e ressecada jurou ter conhecido o amor, Mas não soube responder quando o beija-flor veio lhe perguntar por que ela então havia morrido sozinha. Ela, flor calou-se para sempre e eu também. 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Quinquilharias suburbanas e fetiches lancinantes...



Destituída.
Desambiguada, concisa, mas absolutamente longe de entender as coisas que seguem assim.
Briguei com as palavras tentando buscar uma frase que me dissesse o que significa tanto tempo de silêncio, de discordância, de tanta distância, o vão que segue entre nós e se dilata, se encrespa e ferve por trás de nossas nucas.
Ainda sinto o vento frio que chega de você aos sábados de manhã.
Eu lembro que você não quis me abraçar, mas me abraçou mesmo assim e não conseguiu mais ser a mesma.
Toda carne, todo sacrifício que acorda e dorme conosco, plantam histórias que assustariam demônios. Ainda não aprendemos a lidar com nós mesmas e ficamos à margem da esquisitice.
Há um pote de sobriedade que é colocado todas as manhãs perto de sua cabeceira, para que você lave seus pés e se sinta capaz de começar seu dia limpa, de baixo para cima, assim, sentindo do chão o que não vem do céu.
Além de um mar de incoerências, conjecturas, suspeitas, especulações e dúvidas dos mais variados tipos, existe eu, avessa às tonalidades clichês que insistem em colorir o mundo.
Talvez por isso o mundo tenha me presenteado com você, a fim de me fazer adquirir ojeriza ao esquizofrênico, ao inveterado, incomum, irracional e bêbado.
Teu corpo ébrio, seus olhos de ressaca e sua voz lisérgica sempre me afastaram temporariamente da realidade inconsciente que sempre dormiu e fez amor comigo diariamente.
Minhas derrotas conversavam com meus farrapos toda segunda-feira pela tarde, enquanto eu fingia dormir e abraçava o lado abstrato da minha paz.
Havia um intervalo sutil que podia com pequenas dobras se limitar e trazer a mim tudo o que mais quisesse, menos você.
Foi quando então eu desisti de desejar, de cobiçar, pedir e querer manter a ânsia, a divindade de almejar pessoas.
Caí em mim, caí em ti, caí em nós e fui imediatamente engatinhando para o lugar mais seguro que encontrasse: meu passado empoeirado, cheio de correntes, hospedeiros, parasitas e vírus soltos pelo ar.
Não vi a alforria, eu vi as algemas de um calabouço meu e seu.
Variava de dia para dia, de semana para semana, mas no fim das contas era sempre a mesma coisa.
A contradição das evidências começavam quando jurávamos que não faríamos, que não seríamos e por fim acabávamos fazendo e sendo, sem querer.
A (in) voluntariedade de nossas ações no deixaram diante de feedbacks que nunca desejamos ter (talvez).
A lucidez mórbida que se jogava sobre nossos corpos e cabeças pensantes, se disfarçava de receio e assim, hesitávamos nossos impulsos sempre que nos encontrávamos atentas ao impacto de nossas colisões.
Vinte e quatro anos de estratégias falhas, frustradas decisões que por fim se desculpavam comigo pelos deletérios que causavam.
As massas que escorriam feito um líquido gelatinoso, vinham das beiradas da entrada de sua alma. Eu lembro que quis respeitá-la, mas quando lhe respeito, desrespeito a mim mesma e eu sempre preciso escolher por mim.
Ninguém lhe quer ali, mas você pega e vai. É bem assim.
Então lhe alcanço, seguro o seu braço com bruteza e lhe trago de volta ao seu lugar, que curiosamente também é extremamente próximo ao meu lugar.
O sexo une as pessoas e afasta as imortalidades.
A chave de todo o sangue e de todo o vício foi jogada na frente de libidos que ainda não sabiam ao certo a hora de se retirar.
A vergonha então quis dizer sua opinião e foi relevada.
O caso é que não houve mais intercessão. O mal já havia sido feito, cálices quebrados, dívidas impagáveis, olhos que de tão molhados esboçavam um verde limo e ciclos inesgotáveis.
Sentiu qual é a grande esfera do dragão, a bola de fogo que queima, incinera, carboniza as emoções?
Nós somos os dragões e destruímos tudo com nossos atos.
Será que haverá uma fênix? Uma ave que renasça do nada que deixamos, deste resquício de afeto?
Não posso ficar para saber a resposta, mas nos encontraremos no final.
Há uma luz que irá nos escolher e nos guiar até o fim.
Então fuja, suba, se esconda e não me conte onde está, pois se lhe encontrar antes da hora, você sabe que não vai conseguir evitar de estar mais uma vez comigo.
Somos feitas da mesma argamassa fajuta. Embarcamos em planetas e acenamos para satélites assim.  


Barricadas

Eu confesso que perdi o rumo a partir do momento
Em que me direcionei a você.
Bati violentamente nos seus muros de contenção
Nas barricadas e barreiras que serviam pra te proteger
E te deixar imune a contatos indesejáveis com pessoas como eu
Eu confesso que bebi meu próprio sangue na esperança de viver só pra mim,
Eternamente mergulhada só em minha essência e mais nada
Eu quis escrever cada palavra para que enfim pusesse o ponto final no último parágrafo
Do último capítulo
Mas você pegou minha mão, se sujou com a tinta da caneta e assinou seu nome em minha vida.
Eu corri milhas, léguas, eu corri cidades pra não perceber o que já estava tão claro para mim e para você.
E será que adianta brincar de pique-esconde às 18:12 de uma quinta-feira quente, no fim de tarde, em pleno outono?
Que carícias eram aquelas que chegavam juntas com suas mãos e dedos respectivamente?
O que se escondia por debaixo delas?
Eu lembro que era quase um sacrifício fingir não notar que eu já era ridiculamente sua,
Como quem não pediu pra nascer, mas se encantou pela vida assim que deu o primeiro suspiro e abriu seus olhos.
Eu me apaixonei por você em grande estilo e temerosa decadência.
Não fui capaz de me proteger, de subir para o mais alto que meus pés pudessem me levar.
Então caí de joelhos, desfaleci sobre teus pés e quis morar em teu ventre, pois lá era quente e já havia me cansado desses meus dias glaciais longe de você.
Onde eu quero chegar, você deve estar se perguntando, eu quero chegar a você, eu só quero chegar a você.
Não existe outra história, não existe outra razão, não existe mais nada. Há apenas o meu desejo, a minha vontade, há você e há nós duas, como servas e escravas de um destino que ainda não se resolveu, mas insiste em brincar com nossos sonhos e tece mantas infinitas de iniquidade com nossos cabelos que se prendem e se soltam sempre que o vento lhes envolve. Já não podemos padecer aos ramos da culpa, não podemos nos designar às vontades de quem nunca quis que fôssemos o que já somos, ou talvez quisesse, mas não nos avisou.
Há muita incerteza no absoluto, no fato consumado e em mim e em você. Somos qualquer coisa que não se explica e ainda usamos nomenclaturas vãs que nos fazem prisioneiras de nossos próprios caprichos, medos e inseguranças.
Nascemos para brindar o descabido, o sem uso, sem explicação. Nascemos para jogar sobre as cabeças o nosso veneno e mel que de tão doces, se confundem no sabor e efeito respectivamente.
Em meu coração fez-se um calo, deu-se um estalo. Você não viu? Abri a porta lateral da razão e deixei escapulir as rajadas de vento do meu desespero, da minha ânsia e assim em seguida, deixei escapar a minha fome de você.
Eu comi você, te devorei em seus traços, em seus brinquedos, em suas comédias, em seus pecados capitais.
Lambi suas vísceras, abracei seu colo, me fiz infame juntando suas veias às minhas.
Colori nossa plenitude. Deixei sangrar vazio o mundo que não estava pronto ainda para nos receber.
Amei você.
Quis me entregar, mas pisei no freio, pois duas entregas de uma vez, poderiam abalar estruturas de uma vida que já estava ruída.
Agora já passou.
O que havia de ser dito, foi regurgitado pelas entradas da minha garganta, pelo meu estômago atormentado e por algumas cavidades hiperativas do meu coração.
Aconteça o que acontecer, minha bela, nós somos livres para ir onde quisermos. Não há o que possa nos prender e eu te digo isso assinando a sua e a minha alforria.
Eu quero mergulhar no mar das certezas, sem ter que me afogar no rio da desilusão. Beberemos a água da fonte do esquecimento, mas por último vamos nos jogar no lago da memória.
Eu ainda não estou a fim de te esquecer e sinto que não foi pra isso que fui feita.
Meus desenhos começam e terminam nos movimentos de seus pequenos e indefectíveis dedos.
Estou ligada a sua energia e só apagarei uma vez que te puxem da tomada.
Só pulso quando você pulsa.
As linhas que demarcam as fronteiras dos meus territórios foram apagas e você me invadiu.
Estou sendo dominada, conquistada, agora já era.
Acabou-se.
Não mando mais em mim.
Foi bom enquanto eu tinha as rédeas de minha vida em minhas mãos.
Não posso mais me livrar de você uma vez que estou dentro de ti.
E eu aceito todo prazer e toda a dor.
É por uma causa.
É pela nossa causa.
Amor, eu já estou aqui. 

quarta-feira, 15 de maio de 2013


Sua estrela

Seus olhos estão me escondendo as suas vontades
Enquanto você se esforça pra me tirar dos seus pés
Eu me curvo e fico do tamanho do seu coração
Como quem se prepara para amanhecer na porta do céu
Eu quis te esperar para você seguir comigo
Pois não há mais nada se você não está comigo
Não há lugar onde eu possa ir se não estamos juntas
Eu precisava te ver hoje
Apenas para confirmar as minhas suspeitas
Agora já sei que te amo
Do alto de uma nuvem que passa sobre nossas cabeças
Lá em cima está o que eu quero te dar
A imensidão e a mansidão da minha vida
Meu perfume de amor
As cores que enfeitariam nosso altar
Eu vou embora para mais tarde voltar
Eu voltarei para te levar
Porque nossos olhos combinam
Nossas mãos se seguram
Nossos pés caminham
E eu não consigo querer mais nada
Não pode haver mais nada nesse mundo além nós
Entregues e soltas
Prontas para flutuar uma nos braços da outra
Eu disse que esperaria
Não consigo envelhecer te amando assim
Pois a cada dia me renovo
Você não vê?
A minha vontade é me transformar nos seus sonhos
Quero carregar o mundo numa mão e você na outra
Meu corpo é o melhor que eu posso dar
A minha vida será seu para-choque
Vou te proteger, meu amor
De todos os impactos
De todos os espinhos dos cactos
Viverei menos pra que você viva mais
Virarei estrela
Vou brilhar no seu céu
Você será sempre a mais bela
Você sempre será aquilo tudo que foi meu
Porque eu quis assim
E você também
Mesmo correndo para não querer...
Meu coração será seu paraquedas
Vai te segurar e te fazer voar
Pra que você nunca caia
Nunca caia
Nunca caia
E porque eu desejei assim 

terça-feira, 30 de abril de 2013

Gritos e sussurros fora da lei...

Sobre o que ninguém quer falar... 

Seguimentos estranhos, falhas, remendas e varizes na alma. Calma, estamos quase lá! Eis que de repente... Eu entendi tudo. Mas continuava sem saber muito bem qual era o meu papel, o nosso papel naquela história. 

Olha, não vou ficar aqui tentando quebrar minha cabeça, tentando montar peças de um quebra-cabeças que está longe de estar completo. Algo entre nós está faltando, está desaparecido, está perdido em algum lugar. Quem irá atrás dessas "peças"? Temos preguiça, lembra? Nosso fôlego é armazenado para outros tipos de atividades, você bem deve se lembrar... Como eu esqueceria, né? 

Certos contatos na minha opinião, nem sempre eram relevantes, entretanto, o grau de intensidade deles descreviam toda a situação de uma cena.: havia sangue, havia vítima, havia crime e havíamos nós, nuas, desfalecidas, empoeiradas, sujas, cansadas, unidas por um sentimento confuso, escuro, selvagem e maravilhoso. 

Me diz quando foi que nos conhecemos, eu gostaria de lembrar. Na verdade eu nunca me esqueci, mas gostaria de ouvir do seu ponto de vista. 
Bom, você vai dizer que foi casual, comum, banal até, mas sabemos que não foi, né? Qualquer coisa, menos banal. 
Fugimos uma da outra, mas nos buscamos nos detalhes e juramos para nós mesmas que não. E por que será? O que há de errado em seguir certas idéias? Sim, idéias, somos idéias, imaginação, devaneios, um sonho, pesadelo... Eu já não sei mais. 

Vamos falar de incoerência? Pois bem, não fazemos muito sentido e nos esfregamos nessa levada, seguimos o ritmo e nos alinhamos em volta de nossas cabeças, nossos punhos, nossas dimensões. 
Temos a culpa como a cabeça decapitada de alguém, que nos é entregue em uma bandeja de prata. Eu sinto, você sente, pegamos carona com o descompromisso, a falta de vontade, mas uma hora padecemos, nos entregamos, não resistimos mais. 

Havia algo guardado para nós, eu sei... Quando larguei a tua mão pela primeira vez, me vi rendida sem perceber, indo ao seu encontro, você estava me puxando com a boca e voltei a perdição da sua estrada. Na segunda vez em que larguei a sua mão, eu já estava aos seus pés, pois nem de pé eu conseguia ficar aquele momento, você sabe... Eu andava enfraquecida, doente, pueril e com traços de insanidade em meus olhos. 

Soltei as suas mãos várias vezes, mas continuei visivelmente atrelada às suas pernas, sim belas pernas! Só que depois de um tempo, o vício me cansou, a secura do deserto me entorpeceu, enfim segui meu rumo e virei dona de mim. Parecia um sonho, uma alegria fantasiosa, mas completa. Eu estava livre, livre, livre... Livre de você e de outras sanguessugas... Mas que destino cruel e implacável! Ele nos jogou na mesma cova, além de termos de enfrentar os mais de dez leões famintos que nos devorariam em segundos, tínhamos que lidar com a nossa própria fome uma da outra, com o desejo,  a ânsia, o impulso. E quem se seguraria por mais tempo? 
Não sei em que momento começamos a ceder à tentação da nossa libido, mas dessa vez alguma coisa ficou registrada, sabe? Alguma coisa se revelou, se abriu, se mostrou. Eu ainda era racional, ainda conseguia pensar antes de agir, mas com você de presente, eu realmente não sentia  necessidade de pensar em mais nada. 
Eu tive você assim, entregue, plena, sem censura, sem empecilhos, sem hesitar, sem se segurar. Você estava linda, solta, juvenil, parecia ter sido feita para caber em mim. Nos encaixamos profundamente e o fogo, a luz, o calor nos jogou para o vento...
Caímos da nuvem mais alta, da torre do prazer... Éramos o princípio da malícia, o desperdício do bom senso. 
Nos usamos tanto que quase nos desfizemos tamanha era a intensidade do nosso atrito. 
Colidimos nossas vontades, nos jogamos uma na outra sem misericórdia, sem piedade, apenas no ato, de quatro, por cima, por baixo, como deveria ser. 
Éramos fortes, potentes, enérgicas, eufóricas, nós nos espremíamos nos menores lugares e depois escorregávamos como se estivéssemos em um tobogã...
Caímos sobre a sua cama, sobre o seu sonho, o meu sonho, sobre tudo o que sabíamos de nós mesmas e nunca quisemos falar a respeito, pois éramos confidentes, tínhamos um pacto, tínhamos o que quiséssemos uma da outra, né?

Foi tão bonito, tão profundo, sem nexo, poético, visceral, qualquer coisa assim... E me deixei levar mais uma vez. Abri minha guarda, esqueci de me defender de você e fui nocauteada. Caí. 

 A minha queda não foi fatal, sabe? Eu já tive quedas piores. Na verdade foi um desequilíbrio, se é que você me entende. A gente se sente muito poderoso, no controle de tudo e para de se defender, e então acabamos sendo atingidos, feridos e tal. Eu vou admitir, você me lesionou, mas assumo que permiti e nem sei por quê. O mais engraçado disso tudo é que não dói, apenas me mostra que temos tudo às nossas mãos e não seguramos, pois ainda não estamos preparados e temos medo. 

Então vamos continuar fugindo uma da outra? Será essa a solução? Um dia você corre, outro dia eu corro e de repente, lá na frente, num desses encontros casuais, nos esbarremos, nos atraquemos e voltemos a sucumbir diante do nosso desejo mais uma vez. Eu acho mais gostoso assim. Mas pode ser que ele passe, que o tempo esfrie tudo e congele os nossos sentimentos, mas eu não tô nem aí. 

O que torna as coisas especiais entre nós, é o fato de não nos programarmos para nada, ficamos a mercê do acaso, do destino e assim somos domadas.

Você às vezes me dói como um espinho venenoso, me adoece, mas meu organismo já aprendeu a lidar com seu veneno. Minha cicatrização hoje é bem mais rápida... 


E o que devemos fazer agora? Nada. Nada mesmo, pois os atos atropelam as histórias. Não estamos aqui para construirmos nada, apenas queremos aproveitar o que já temos... De alguma forma estranha, nos temos, mas não podemos e assim segue. 

Sem melodramas, sem bla bla blas, sem mimimis, eu gosto das coisas assim... E vamos parar de aumentar os acontecimentos e super valorizar situações. Não somos mais crianças, ou pelo menos não deveríamos mais ser. 

E o que eu sinto, não mudará, só vai mudar quando eu quiser...

Desta vez a culpa não foi sua, foi do castigo em que coloquei meus olhos, eu lhes castiguei olhando para você.


Até breve...


Mas cá entre nós, eu realmente gosto de ti... E lembre-se, somos as perfeitas vira-latas dessa cidade... 


x)

sexta-feira, 27 de julho de 2012

"(...) Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir e rir."

Mais um dia, mais um ano, meses jogados, dívidas existenciais atrasadas e eu continuo sem você... Sabe como? Continuando... Não há um lamento, uma tristeza, um vazio, um eco, há apenas as reticências, os espaços, a não pontuação que ficou em algo que eu nunca soube muito bem nomear.

O que eu via em você, era um fogo, uma chama, um maçarico. Eu não via festa, fogos de artifícios, purpurinas, nem nuances de cores mágicas, eu apenas via seu rosto, via o reflexo que ele esboçava quando encontrava o meu rosto. Disso eu lembro com perfeição, como se fosse exatamente agora...

Eu juro que não imaginava nada, ainda que já estivesse tudo explicitamente anunciado diante dos olhos do mundo e talvez até dos meus. Eu nem sequer quis reverter nada, nunca quis que as coisas deixassem de ser como de fato eram, pois poderia alterar o nosso paladar e isso não seria poético. Será que você me entende? 

Talvez, é bem provável mesmo que nunca lhe possa dizer tais palavras que estão costuradas há meses em minha garganta, mais que isso, estão tatuadas no meu coração, em cárcere na minha memória. Há algumas semanas andei vomitando meu orgulho e vivi a amnésia no meu ego para que tudo pudesse enfim se esclarecer dentro de mim, para que assim eu jogasse toda essa verdade para você. 

Você não vai saber hoje, nem agora, mas quem sabe tudo mude... Eu antes não sabia, ou não queria saber, era muito cedo, era muito tarde. Meus ossos doíam, minha carne sangrava, e eu escorria, eu ardia, era tudo febril demais, intenso demais e não  cabiam tantas efervescências na palma de sua mão, assim, de uma vez só.


Não sei bem ao certo se nas vezes em que deitávamos lado a lado na cama, em que nossos corpos se tomavam por uma quentura inflamável, que nos causava aquela combustão instantânea que quase carbonizava nosso juízo, se você conseguia absorver a verdadeira temperatura de tudo aquilo que estava entregando a você. Havia muita magia, muita intenção, muita vida, muito de mim. Eu fui me entregando a você aos poucos e fiquei tão pequenina em mim, que quando nos apartamos, eu quase não existia mais, estava tudo aí, com você. 

Eu fui a vítima mor do meu orgulho, da minha podre vaidade e quis mostrar a você toda a carniça da minha alma, fui ao meu ínfimo, quis lhe causar as mesmas sensações que eu propriamente já estava sentindo e foi tudo inútil. Nem sequer lhe arranhei a pele, que dirá o coração. Era inoxidável, ou pelo menos a sua blindagem era melhor que a minha. Eu fiquei pelo caminho e você seguiu o seu, do seu jeito, na sua ideia fixa e eu repudiei seus passos com cada centímetro do meu ser amargurado.


Será que você viu? Será que alguém viu? Eu quis esconder, não sentir, não mostrar, sequer pensar. Não queria que fosse e me convenci por um bom tempo que não era e talvez não tenha sido, não sei bem, eu não sei! Ahhhh! Tá vendo? Você me confunde até hoje, sua sádica maldita, esquisita, louca e que sabe-se lá por que é a mulher que eu amo e que de tão excêntrica, absolutamente atípica, é linda demais!

A gente descobre o que é amor, quando passa a amar alguém pelos seus piores defeitos. E eu vi a carniça da sua alma também e quase fui jantá-la. Mas eu fiz tudo errado, gata, eu me perdi, me transtornei. Não conseguia conceber a ideia não lhe ter mais, pois eu sabia de alguma forma bem distorcida e obscura que eu seria sempre sua, e provavelmente esse sempre seria muito longo, tão longo que nove meses depois nasceu, hoje está em meu braços e tem seu nome...


Posso falar agora? Já está na hora? Então lá vai... Eu te amo, porra! 

E você nem vai saber isso, talvez porque não mereça, talvez porque algo cale minhas palavras antes que lhe encontre, ou porque alguém me distraia, me impeça de lhe jogar mais uma vez essa verdade inacreditável. 
Não sei, não vou lutar por você e nem por esse insistente amor, mas também não impedirei-o de existir dentro de mim, pois reprimir um sentimento tão torrencial poderia causar o esmagamento de minha razão.


Eu sei lá, mas quero que você seja feliz, assim como eu também desejo ser feliz. Eu morro de medo de você e do que você me fez sentir desde o começo. Não é estranho? Não é gozado? Logo eu, a destemida Michelle Valle, que já viu o inferno várias e várias vezes, que luta contra seus demônios, ter medo logo de uma garota como você que aparentemente não oferece perigo algum a este plano astral? Você me mata de medo, me arrepia, invade meus sonhos, como um bicho-papão. Os medos que adquiri na infância, na minha fase adulta, foram inteiramente transferidos para você. Seu nome é o som que me assombra até hoje. É como se antes de chamar qualquer pessoa, o seu nome chegasse na frente. Você está vendo? É surreal. 

Poderia parecer uma obsessão, um transtorno, uma psicose, mas não é, pois estou aqui pensando, me distraindo, me cuidando, me elevando. Sinto o que tenho que sentir, por quem tenho que sentir, na hora certa e pronto!


Linda, preciso ir, preciso terminar esses dizeres que parecem ser na maioria das vezes infinitos. Se algum dia, qualquer coisa não der mais certo na sua vida, como um sol que venha nascer mais escuro, uma noite que tenha menos estrelas, um mar que não se renove, uma lua que não brilhe, lembre-se que no mundo ainda há alguém que pode reverter cada uma destas situações e ainda pode te levar para a via-láctea, assim, num piscar de olhos. Apenas usarei o poder do que sinto se você aprender a sossegar, você irá ver e sentir cada dessas palavras. Eu ainda tenho esperança em você. 


Sei que o tempo que nos foi proporcionado foi absolutamente curto para qualquer coisa aparentemente, mas ele foi o suficiente para que eu visse algo em você e sentisse exatamente essas coisas que hoje narro. 



Apenas isso...


"Eu gosto das pessoas pelo prazer de gostar e não porque deu tempo de gostar delas."


"Se ela te fala assim, com tantos rodeios
É pra te seduzir e te ver buscando o sentido
Daquilo que você ouviria displicentemente 
Se ela te fosse direta, você a rejeitaria."





quarta-feira, 18 de julho de 2012

"...Sem carinho, sem coberta, num tapete, atrás da porta..."

Pois bem, ainda não sei como, talvez duvide de tudo que me cerca, inclusive de mim mesma, mas quero ainda descobrir que porra é essa! Não faz sentido, me irrita, está tudo junto, misturado, aglutinado, me encanta, me enjoa, me eleva, faz de tudo comigo, mas não me deixa entender. Preciso de respostas e já!


Começo a procurar fora de mim indícios de um lugar, um caminho que me leve para aquilo que dentro de mim se escondeu, quero ver pelo mundo a fora, onde anda o pedaço meu que saiu para comprar cigarros provavelmente e nunca mais voltou. Eu estou fadigada de estar aqui e não permanecer em lugar algum. Não são dramas, nem complexidades trazidas por mim, apenas estou buscando a verdadeira Michelle A. Valle nessa confusão que chamo de vida.


Hoje pensei, engoli a seco, deixei as lágrimas correm minha face a baixo e descobri que há muito mais para ser arrancado de dentro de mim do que imagino. Há um acúmulo de ideias, esperanças, sonhos, lembranças, passados e mais passados. É como se no fim, nada e nem ninguém fosse embora de verdade, a vida e a juventude dos corpos se vão, mas o arcabouço fica dentro de mim, se fossilizando, e quando vem a primeira leva de terremoto emocional, tudo vem a tona, inclusive o miasma dos cadáveres que levaram um bom tempo para entrar em decomposição, até chegarem aos ossos, fósseis enfim...


Como não podia saber pelo que chorava, ou o que lamentava? Ora, a melancolia era minha e eu tinha o direito de deixa-la passear por dentro de mim, como a mesma sempre fez. Queria ao menos saber se ela tinha alguma novidade dessa vez, pois me cansei das incógnitas, dos mistérios, das esfinges apresentadas a mim, com a mais clichê das frases: decifra-me ou te devoro. Eu devorei a minha ânsia de querer saber mais do que me era permitido de fato. Eu me engoli.


Parece fácil e é, mas não é tão prático assim. Tudo tem um peso diferente quando se analisa pelo ângulo interno, como eu. É meio que assim: quem está de fora, banaliza, faz pouco caso, não vê relevância e julga ser capaz de passar por certas situações sem pestanejar. Já quem está pelo lado de dentro, sua frio, treme na base, pensa em mil maneiras de trabalhar as ideias, de contornar, mudar, superar, de fazer tudo de uma maneira onde a dor seja inexistente, ou suportável e que o sucesso seja o cume da montanha, mas sabemos que quando estamos no começo da escalada, a montanha sempre cresce. A força é uma coisa que precisa vir de dentro e ela só virá, quando não mais tivermos aquele repertório de desculpas prontas e esfarrapadas, para tentar justificar aquilo que muito bem não flui. A gente só vai pra frente, quando não nos resta mais outra saída, senão andar, ainda que a força.


Somos seres conformados e mimados, estamos acostumados a acreditar que as coisas irão se ajeitar sozinhas, mas não é bem assim. O que acontece é que se você não faz, alguém mais bem disposto fará, sendo que a ação deste indivíduo poderá ou não lhe ser aproveitável, e poderá assim lhe causar deletérios. Portanto não é bom arriscar. Eu costumo ver pessoas inertes (como eu), que por permanecerem grande parte das vidas delas esperando as coisas que mais querem, cair do céu, quando não obtém o "pomo da discórdia" desejado, acabam culpando as circunstâncias, que coitadas, são paus-mandadas daqueles que sabem arregaçar as mangas e trabalhar as suas vidas, por medo de morrerem  na inutilidade.


Está vendo? É fácil saber o que me falta, difícil é entender por que ainda não fui lá mudar as coisas, virar tudo de cabeça pra baixo e me tornar rainha de mim. 




Eu sou um ser absolutamente estranho que ainda não aprendeu a lidar consigo mesmo. Neste plano, os sentimentos e as sensações são muito mais fortes, são intensas e coisas pequenas, de baixa importância, parecem a explosão de bombas atômicas dentro de uma casa na árvore. 


Eu penso que poderia enlouquecer, mas acho que já nasci louca.




E que Deu me ajude hoje e sempre.




Procuro por fim, um mundo onde as pessoas sejam de verdade e não tenham medo ser assim, reais.



terça-feira, 10 de julho de 2012

E respira sob a minha pele, deita, dorme e acorda escondida em algum lugar do meu corpo que ainda não pude identificar. Ainda está aqui e prefere brincar de se esconder, tem medo de ser descoberta.


Nos meus dias mais afins vem me mostrando que eu não tenho domínio sobre meus sentimentos, esses vão e vem e não me dão nenhuma explicação...


Quanta coisa ficou aqui, guardada, um grito preso, uma lágrima foi parada, um sangramento estancado e a Michelle foi interrompida, ficou pela metade, no meio das horas querendo dizer e lhe levaram as tais palavras. Hoje ela se procura, se questiona e ainda não tem a sentença, a resposta, o nome do seu problema. É tudo tão instável, tão inconstante e ela quer ser permanente, ela quer se estender e nada é contínuo em sua vida, a não ser as expectativas quebradas, o laços desfeitos, transformados e nós cegos que impedem a circulação das suas emoções e lhe causam gangrena na alma... E assim ela acaba tendo pedaços do seu coração amputado...


Eu preciso de tempo, de tempo do tempo, para as horas, os minutos, para que os meus ponteiros se encontrem, se entendam enfim. Tudo está na mais perfeita ordem agora, mas subitamente pode deixar de estar e aos poucos vou me preparando para os colapsos da vida. Tudo para mim tem peso diferente, sabor diferente, aparência diferente e não é porque eu escolhi isso, nunca quis me fazer "especial", mas naturalmente, espontaneamente, eu sou diferente e isso tem me regido desde a minha formação...


Estou no meio do caminho, olhando para a estrada, há uma bifurcação, há destinos a serem escolhidos, mas não tenho pressa de nada, pela primeira vez, eu quero ir devagar, quero sentir em meu corpo, a energia, a vivência de cada passo dado, seja para onde for, não quero escolher um caminho, eu quero viver plenamente a minha história, quero me enxergar em cada esquina, em cada curva. Eu preciso e muito de mim, só agora me entendo mais, pois me dignei a me conhecer melhor. Quero ir pra qualquer canto, mas por enquanto, vou dando voltas por aí, para conhecer melhor a região. 




Vale a penar se permitir, vale a pena viver para si. 




Estou aprendendo a respeitar o meu tempo, os meus momentos. Cansei de viver de urgências...



quinta-feira, 28 de junho de 2012

O meu coração suburbano espera riquezas maiores...

Mas eu nunca te esqueci...


Estou com meu coração amarrado em volta do cipreste, nas curvas do meu quintal e ainda não amanheci, apesar das horas...


Lembro que ainda guardo, mesmo que bem lá no fundo, uma centelha, uma faísca, que a qualquer momento pode causar combustão instantânea, se misturada aos gases que saem do meu pensamento. Não, ela não se foi. Parece que dormia, estava em coma, dopada, no calabouço em que a pus para continuar a viver meus dias em paz. Não, ela não me dava a paz, mas que paz me preencheria, se longe daqueles tais conflitos que viviam com ela, minha vida não esboçava emoção alguma?


Eu tremia e temia, não sabia desenvolver nada, tampouco lidar, porém tentava, insistia e não podia mais continuar. Se a guerra já estava perdida, para que então lutar? Eu era um soldado perdido, com fome, sem aliados, era desertora de uma batalha que se iniciou dentro de mim e eu nunca soube explicar como todo esse caos se originou...


Ela não tinha um belo olhar, não me ganhou com seu sorriso, suas palavras, seus versos, em nada lembravam poesias, ela era absolutamente sem graça, estranha, desinteressante, meu avesso em todos os sentidos, no entanto dentro dela tinha um livro sobre como me enlouquecer e devo dizer que ela havia decorado cada palavra do mesmo, pois até hoje, me vejo habitando manicômios emocionais...


Ela me enlouqueceu, não por seus predicados, não por sua decência, personalidade, pelo seu corpo, ou pelo pseudo-amor que nutrira por mim, mas ela me enlouqueceu, pois era louca e apreciava a loucura. Ela conseguiu incitar em mim a dependência pela violência, pelo despudor, pela fadiga, pela lamúria, pela sujeira, pela mentira. Eu e ela éramos fies residentes da mesma sarjeta e penetrávamos uma na outra como sanguessugas, nos alimentávamos uma do sangue da outra e ficávamos ausentes do mundo...


Ela tão ariana, com sua alma de marinheiro, facilmente podia e conseguia desprender-se de todo e qualquer sentimento conforme lhe fosse conveniente. Ela queria mais, muito mais do que eu tinha para lhe oferecer e como um retirante em um banquete, ela se lambuzou em mim, fartou-se e despediu-se, quando já estava virando a esquina...
Eu me recolhi, abracei os mil e oitenta e três pedaços meus que aos poucos caiam de mim e me juntei ao entulho da vida... 


Eu tentei me procurar dias depois e só depois de três meses enfim, pude me ver novamente. Eu estava magra, na verdade estava desnutrida, incoerente, incrédula, amarga e incansavelmente sarcástica. Eis o sarcasmo, meu amido, meu alimento.


Ousei navegar em outros mares, atrevi-me a jogar-me em outros amores, experimentei, fui experimentada, gostei, fui gostada, fui desgostada e previsivelmente também fui machucada. Contudo era visível que o que eu trazia em meu peito, já era uma chaga aberta, apenas com uma casca, todavia o ferimento ainda estava ali, para quem quisesse ver... 


Enquanto permaneci distraída, fui deixando no ostracismo a lembrança do véu, do pão, do céu, do mel dela, porém a verdade é que eu nunca me esqueci, apenas deixei-a guardada dentro de um baú, onde só eu poderia encontrá-la outra vez. Mas quem disse que há o interesse em resgatar um sentimento tão nocivo? Não há e não há mesmo! O que há é a imagem daquele rosto magro, sem graça, branco, daquela pele estranha, daquele olhar sem sal que apesar de não transparecer nenhuma qualidade instigante, me levou com ela e talvez ainda leve algo de mim que dorme e acorda, em sua cama, junto dela...


Não penso em voltar, em procurar, não penso em querer, mas preciso ou não entender o que sinto. A verdade é que gostaria de incinerar tudo isso de minha lembrança, mas não é tão fácil. O importante é que não mais me úlcera a saudade, o tempo,  distância. Entretanto a pergunta que foi feita lá atrás e que até hoje não quer calar é: Quem é ela?


Ela não mora mais aqui e talvez tenha fugido de casa. Tentei alcançá-la, mas meus passos foram em vão. Senti seu perfume caro embriagando meu rosto, deslizando sobre minhas costas como uma corrente de ar que assedia o corpo daqueles que são sensíveis como eu...


Não, eu não gosto mais dela e não, também não a amo e nem a amei, o amor passa léguas longe de mim e do que vivemos, todavia quem disse que eu me importo? Não quero uma alcunha para batizar este sentimento que me assombra, me espreita, sussurra em meus ouvidos e diz aquele nome, o nome que não posso dizer, pois habita meu subconsciente e me faz citá-lo a cada minuto.  O nome dela é...




Ela nunca vai saber o que tenho embalado aqui, a cor que tem, seu odor, como fica na primavera, no outono, no inverno, só vai saber que no verão explode, queima e cozinha minha mente a ponto de me derreter completamente. 


Eu sei que eles não dizem, pois nunca disseram nada, no entanto eu ainda sonho com aqueles olhos pequenos, com aquela face estranha que tanto fez sentido pra mim, mesmo quando me matava de dor e me refiro a todas as dores...




O que afinal posso dizer é que seja quem for agora, ela foi a única mulher que me matou, mas me matou de prazer...









"(...) Eu vivi a esperança e você fugiu de mim....
Dois caminhhos diferentes, é a vida que é assim...

Mas eu nunca te esqueci..."






terça-feira, 26 de junho de 2012

A mulher da massa.


A gente ainda vai se encontrar muitas vezes, mas eu só te enxergarei mais uma vez, não será para me despedir, nem pra me lamentar, mas sim, para encerrar esse capítulo nefasto em minha vida, que você teve o prazer de assinar. Não, você não serve nem para ser um fantasma, não tem recursos, competência, sequer inteligência suficiente para me atormentar. Você foi nada mais que um corpo que comi na sobremesa, repeti algumas vezes e que azedou em meus lábios, me causou azia, gastrite, por fim te vomitei e agora posso voltar a ter apetite outra vez. Alguns venenos são bons, mas os mais baratos como você, só fazem estrago breve...

Lembro do seu gosto, do seu cheiro e os associo a um vinho barato, um perfume vagabundo, que depois de certo tempo dão dor de cabeça, aquela ressaca, que no meu caso se fez ressaca emocional. Devo me culpar pela minha ingenuidade, pela minha indulgência, me embriaguei fácil demais em um líquido tão vulgar, tão popular entre as multidões. Você é a mulher da massa, que o povo gosta, desgosta e se deleita e o que eu aprendi nesses quase seis meses em que estive sob o domínio de suas correntes enferrujadas, foi que eu me tornei parte da massa, me igualei a você, aos seus fãs. Logo eu que sempre fui alternativa, diferente, absolutamente atípica, acabei simplificando minha forma de ver a vida, para que entre nós não fosse necessário um léxico, e assim, não houvesse a distração...

Eu me distraí, eu me deixei levar pelo relevante prazer que me foi proporcionado por você, deixei a minha vaidade me guiar, fechei meus olhos e caminhei ao lado de um parasita que me sugou de todas as formas que pôde e nem sequer soube se despedir, apenas deixou que eu lhe extirpasse de meu corpo, para que novamente pudesse voltar a plenitude da vida em cores...

Perdi a naturalidade, misturei lembranças de outros carnavais, outras colombinas e eu como sempre terminei como um pierrot apaixonado e febril, assistindo a colombina sumir nos braços dos mais de mil arlequins... Na quarta-feira de cinzas, junto com os restos mortais da festa da carne, eu encontrei meus pedaços junto aos confetes, serpentinas e demais corações partidos. Sua lembrança me cercou por todos os cantos da avenida e o pior é que eu não senti nada, apenas um vazio estranho que dentro de mim fez um eco e dizia: "Iara covarde..."

Meu coração se apegou a um alguém tão covarde, que se perdeu entre suas próprias penas e hoje cisca em vários galinheiros...

Consigo perdoar as grandes falhas, os grandes erros da humanidade, mas ainda não aprendi a lidar com a covardia. Entendo que há quem se acovarde por medo de machucar aos outros, de se machucar, mas quando a covardia é apenas com o intuito de zelar e de estender a vaidade, para que a reputação permaneça intacta, é absolutamente nauseante. Não respeito quem me fere, para se manter de pé, aquele que não preza o sentimento dos outros, merece ser desprezado. A covardia fede, exala miasma, e a latrina é a boca de quem não consegue ser mulher, não consegue ser gente, ainda não deixou de ser coliforme fecal, contamina e faz mal as pessoas com quem tem contato, mas estou me curando, ou já me curei, não sei! 

É leviano o coração de uma mulher que imaturamente ainda não soube amar, ainda não cresceu, é menina, mas causa a mesma destruição que vinte mil soldados causariam em uma guerra e posso dizer que preferiria ser atingida em cheio no peito, na cabeça, a ser feita prisioneira ou me esconder pela eternidade em trincheiras... Não nasci pra me esconder, sequer recuar. Bandeira branca, só se houver acordo e dignidade entre ambas as partes, mas sabemos que essa teoria é meramente utópica. Não há nada de nobre e nem de digno em olhos tão vis...

Não há nada de bom ou de ruim para lhe desejar, apenas um carma que lhe caiba e lhe vista bem, para que ali adiante todo o sangue derramado por todas aquelas que lhe foram devotas, não seja em vão.

Deixo minhas palavras que perpetuarão como um pergaminho, que de tanto vagar por aí, chegará às mãos e aos olhos daqueles que precisarão absorver essas ideias, a textura do meu eu e do que sinto. 
Faço da minha vida, do meu corpo, do meu espírito, uma morada de paz, sossego e luz, para que seres rastejantes e demoníacos da noite, não mais me enxerguem. Estou me livrando das trevas, estou enfim acendendo a luz e quero voltar a dormir para sonhar com intermináveis dias de sol, onde os sorrisos sinceros abençoarão minha alma...

Ainda há esperança, só não há mais a inocência...


C'est fini

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

As ruínas

As ruínas

No fundo do mar, os corais.
Dentro de mim, o meu coração.
Dentro dos seus olhos, carnavais.
Dentro da nossa história, a indagação.

O que foi dito
O que foi colhido
Quase nada foi aproveitado
E pôs-se a sentença
O veredicto

Vingança não compensa
Raiva mata
É doença
Rancor desgasta
A saudade é imensa
E nada te afasta

O eco da solidão
Grita tão alto
Que ensurdece
Agride minha emoção
Estou tão descalço
Que quase sinto o chão

Mas hoje
Especificamente falando
Não pude acordar
Apenas não consegui ver o dia
Não senti nada especial
Foi o momento em que vi
Que não mais lhe tinha...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Meninas, garotas e mulheres

Eu sou uma menina
Você é uma menina
E o que podemos fazer?
Nossas experiências são tão concisas
Somos jovens
Somos tão genuínas

E o que pode se dizer?
Ainda não rompemos o lacre
Mas queremos saber

Eu sou uma garota
Você é só uma garota
E o que podemos fazer?
Nós vestimos qualquer roupa
Somos suaves
Somos tão loucas

E o que podemos pregar?
Cuspimos palavras
Não sabemos onde elas vão parar
Não queremos ver o preço que vamos pagar

Eu sou uma mulher
E você é só uma mulher
E o que podemos fazer?
A gente pode ir onde a gente quiser
E assim a gente pode se perder
Eu sei quem eu sou
Você sabe quem você é
Mas isso não é o suficiente

E o que podemos dar?
Será que já não perdemos o bastante?
Sei o que nos é elementar
Mas certas respostas se mostram insignificantes

Eu sou eu
E você é só você
Nós temos uma a outra aqui
E nada mais precisamos fazer

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Fera ferida

Acabou?

Assim como a chama que apaga e deixa aquele resquício de fogueira para mais tarde... Mas quem vai garantir que o fogo volta? Ela não vai voltar...

Era a transformação da euforia em algo suave, mas absolutamente extasiante, que me fazia entrar em estado de transe, numa espécie de epilepsia que só eu e ela poderíamos experimentar e testemunhar respectivamente. Talvez ela não tenha se dado conta do que fez, mas ela visitou meu interior e deixou algo lá dentro, perdido, que vaga até hoje. Acho que ela deixou algo que pertencia a ela e talvez ela não sinta falta. Não vai sentir agora. Nos transformamos em uma só. Fato. Mas ela é feita de muitas ramificações estranhas, ela não tem um acabamento exato e vive aos pedaços, sem uma definição clara. Ela deve viver se desperdiçando por ai. Ela não se guarda. Um dia ela vai terminar por falta de si.

Lembro que era como uma briga de mundos opostos que precisavam e buscavam a mesma luz e não podiam existir em conjunto, mas separadamente ardiam. Os mundos se machucavam, não se amavam, mas não podiam descansar em planos separados. Eram mundo incompatíveis e dependentes um do outro.

O corpo, a carne, o sangue, o encontro, era tudo explosivo demais, carnívoro demais. Havia muita dor concentrada, muita dor transformada em prazer, em excitação carnal, em orgasmos contínuos e incansáveis; as expressões faciais, as contrações internas, o suores se encontrando. A altura da temperatura dos corpos, era a febre, era um vulcão em erupção. A lava escorria pelos caminhos, pelas vias de ambos os corpos. Fomos transformadas naquilo que somos hoje: rochas.

Era o coito das rosas, eram pétalas de rosas que roçavam incansavelmente uma na outra, gineceu com gineceu e tais rosas eram espinhosas, expeliam veneno e se machucavam, enfraqueciam, fortaleciam-se, enfim, viviam como flores selvagens e entregues. Mas eram entregues ao momento.

O extremo era quando não mais conseguia-se controlar o apogeu de tanto prazer e aquela sensação dominava todo o corpo, toda a mente e mãos e pernas, não tinha-se controle, apenas trabalhava-se instintivamente, podendo trazer o prazer ou o caos. Ainda não sei bem o que fizemos.

Sei que uma vez quis matá-la. Quis dizer no ato, responder a todos aqueles estímulos da maneira mais definitiva. Quis dar a ela tudo o que ela estava me dando.

O que era aquilo?

Ela se pintou nas cores do meu sangue, escreveu sobre os meus lençóis que éramos feitas do mesmo material, material esse que é de péssima qualidade, mal acabado e facilmente encontrado nos subúrbios da vida. Éramos o ponto mais ínfimo uma da outra. Éramos a personificação da sarjeta.

Ainda não me esqueci. Todos os dias as lembranças desse carnaval que jogava confetes e serpentinas em nossas avenidas, vem me visitar e dizer que eu sou tão suja quanto ela.

Talvez tenha me conhecido mais a partir dessa relação, talvez tenha visto algo em mim que nunca tivesse visto antes, o meu passado. Quem eu fui, apareceu de uma só vez na minha frente e lançou-me aquele sorriso cínico, sádico. Eu merecia tudo aquilo.

A mesma espécie.


Aprendo a separar o joio do trigo, o coração do corpo, o afeto do prazer, o amor do gozo.

Que venham mais erupções...

Vênus ajudou e Mercúrio fez a sua parte...


Sou um animal sentimental...

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Não pode. Não quero. Não vai.

E se for?

Tenho medo que seja. Tem cheiro de flores pela manhã e de morte pela noite. Não pode chegar, se instalar, se infiltrar em minha vida e deitar no sofá, como se fosse hóspede. Não quero mais aqui! Isso tem que residir em outras veias, em outros braços, em outros corpos, outras almas, e obviamente em outro coração, pois o meu não mais deixará tal sentimento fazer casa em seu interior.

O tempo passou, outros dias chegaram. Eu vi um sol mais quente, mais reluzente, vi outras faces mais vivas, mas ainda me senti como a mesma pessoa.
Como me achar? Não sei.

Será que não acabou? Será que ainda há resquícios, pendências? Não cabe a mim trazer isso de volta, mas e se for para voltar? E se o seu lugar for aqui, dentro de mim, se for parte de mim? Se for eu? Não posso ficar sem mim, esparramada, pela metade, anêmica. Eu preciso do complemento. Não quero que o meu complemento seja aquilo. Não mesmo!

Estava tão longe, ou se estava perto, parecia estar dormindo em sono profundo, em plena letargia. Por que ousaria acordar agora? Esse sentimento é sonâmbulo, pois dorme e vive em movimento, caminha, se comunica, mas não está consciente e isso tem salvado os meus dias.

Não venha bater em minha porta e reabrir a minha cicatriz! Fique bem longe de mim!

Vou dormir de luz acesa, pois eu tenho muito medo desse escuro que vive dentro de mim. Esse escuro se chama "meu eu".

A briga dos anos, do tempo que passou e não levou. Talvez tenha levado, mas não levou tudo. Ainda dorme aqui, ainda acorda em mim. Não houve o óbito, apenas o coma. Estava em coma. Preciso que esse coma permaneça até o fim. Não quero mais viver isso. Tempo demais. Três anos é tempo demais...

Está fazendo falta, mas o que é?

Estou com saudade de algo ou alguém que não existe. Preciso quebrar minhas paredes e descobrir o que me espera do outro lado...

Há muitos monstros, muitos inimigos, perigos, mas também há os abraços e os sorrisos.

Eu busco aquela, a única exceção...

Ela.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Os olhos magoados da terra...

Que brisa... Que sol... Que lua...

Em dias em que o nada consegue explicar o que parece ser tudo, vejo meus olhos sem multidões, mudos...às vezes tudo é claro, às vezes tudo é escuro...
A calda desse cometa vai se despedindo....

Cores que nos mostram a cara das estações....

Corações a mil... Acelerados por excessivas sensações.

Triste, triste terra! Chora todo dia pela paz e pela guerra. Sozinha e vazia, inteira e em eterna espera. É por baixo que ela impera. Ela fica e nunca se leva...

Ela fica assim...longe das coisas que flutuam...

Mais um dia...Mais uma noite...Enfim eu e você.

Passei...