segunda-feira, 20 de maio de 2013

Quinquilharias suburbanas e fetiches lancinantes...



Destituída.
Desambiguada, concisa, mas absolutamente longe de entender as coisas que seguem assim.
Briguei com as palavras tentando buscar uma frase que me dissesse o que significa tanto tempo de silêncio, de discordância, de tanta distância, o vão que segue entre nós e se dilata, se encrespa e ferve por trás de nossas nucas.
Ainda sinto o vento frio que chega de você aos sábados de manhã.
Eu lembro que você não quis me abraçar, mas me abraçou mesmo assim e não conseguiu mais ser a mesma.
Toda carne, todo sacrifício que acorda e dorme conosco, plantam histórias que assustariam demônios. Ainda não aprendemos a lidar com nós mesmas e ficamos à margem da esquisitice.
Há um pote de sobriedade que é colocado todas as manhãs perto de sua cabeceira, para que você lave seus pés e se sinta capaz de começar seu dia limpa, de baixo para cima, assim, sentindo do chão o que não vem do céu.
Além de um mar de incoerências, conjecturas, suspeitas, especulações e dúvidas dos mais variados tipos, existe eu, avessa às tonalidades clichês que insistem em colorir o mundo.
Talvez por isso o mundo tenha me presenteado com você, a fim de me fazer adquirir ojeriza ao esquizofrênico, ao inveterado, incomum, irracional e bêbado.
Teu corpo ébrio, seus olhos de ressaca e sua voz lisérgica sempre me afastaram temporariamente da realidade inconsciente que sempre dormiu e fez amor comigo diariamente.
Minhas derrotas conversavam com meus farrapos toda segunda-feira pela tarde, enquanto eu fingia dormir e abraçava o lado abstrato da minha paz.
Havia um intervalo sutil que podia com pequenas dobras se limitar e trazer a mim tudo o que mais quisesse, menos você.
Foi quando então eu desisti de desejar, de cobiçar, pedir e querer manter a ânsia, a divindade de almejar pessoas.
Caí em mim, caí em ti, caí em nós e fui imediatamente engatinhando para o lugar mais seguro que encontrasse: meu passado empoeirado, cheio de correntes, hospedeiros, parasitas e vírus soltos pelo ar.
Não vi a alforria, eu vi as algemas de um calabouço meu e seu.
Variava de dia para dia, de semana para semana, mas no fim das contas era sempre a mesma coisa.
A contradição das evidências começavam quando jurávamos que não faríamos, que não seríamos e por fim acabávamos fazendo e sendo, sem querer.
A (in) voluntariedade de nossas ações no deixaram diante de feedbacks que nunca desejamos ter (talvez).
A lucidez mórbida que se jogava sobre nossos corpos e cabeças pensantes, se disfarçava de receio e assim, hesitávamos nossos impulsos sempre que nos encontrávamos atentas ao impacto de nossas colisões.
Vinte e quatro anos de estratégias falhas, frustradas decisões que por fim se desculpavam comigo pelos deletérios que causavam.
As massas que escorriam feito um líquido gelatinoso, vinham das beiradas da entrada de sua alma. Eu lembro que quis respeitá-la, mas quando lhe respeito, desrespeito a mim mesma e eu sempre preciso escolher por mim.
Ninguém lhe quer ali, mas você pega e vai. É bem assim.
Então lhe alcanço, seguro o seu braço com bruteza e lhe trago de volta ao seu lugar, que curiosamente também é extremamente próximo ao meu lugar.
O sexo une as pessoas e afasta as imortalidades.
A chave de todo o sangue e de todo o vício foi jogada na frente de libidos que ainda não sabiam ao certo a hora de se retirar.
A vergonha então quis dizer sua opinião e foi relevada.
O caso é que não houve mais intercessão. O mal já havia sido feito, cálices quebrados, dívidas impagáveis, olhos que de tão molhados esboçavam um verde limo e ciclos inesgotáveis.
Sentiu qual é a grande esfera do dragão, a bola de fogo que queima, incinera, carboniza as emoções?
Nós somos os dragões e destruímos tudo com nossos atos.
Será que haverá uma fênix? Uma ave que renasça do nada que deixamos, deste resquício de afeto?
Não posso ficar para saber a resposta, mas nos encontraremos no final.
Há uma luz que irá nos escolher e nos guiar até o fim.
Então fuja, suba, se esconda e não me conte onde está, pois se lhe encontrar antes da hora, você sabe que não vai conseguir evitar de estar mais uma vez comigo.
Somos feitas da mesma argamassa fajuta. Embarcamos em planetas e acenamos para satélites assim.  


Barricadas

Eu confesso que perdi o rumo a partir do momento
Em que me direcionei a você.
Bati violentamente nos seus muros de contenção
Nas barricadas e barreiras que serviam pra te proteger
E te deixar imune a contatos indesejáveis com pessoas como eu
Eu confesso que bebi meu próprio sangue na esperança de viver só pra mim,
Eternamente mergulhada só em minha essência e mais nada
Eu quis escrever cada palavra para que enfim pusesse o ponto final no último parágrafo
Do último capítulo
Mas você pegou minha mão, se sujou com a tinta da caneta e assinou seu nome em minha vida.
Eu corri milhas, léguas, eu corri cidades pra não perceber o que já estava tão claro para mim e para você.
E será que adianta brincar de pique-esconde às 18:12 de uma quinta-feira quente, no fim de tarde, em pleno outono?
Que carícias eram aquelas que chegavam juntas com suas mãos e dedos respectivamente?
O que se escondia por debaixo delas?
Eu lembro que era quase um sacrifício fingir não notar que eu já era ridiculamente sua,
Como quem não pediu pra nascer, mas se encantou pela vida assim que deu o primeiro suspiro e abriu seus olhos.
Eu me apaixonei por você em grande estilo e temerosa decadência.
Não fui capaz de me proteger, de subir para o mais alto que meus pés pudessem me levar.
Então caí de joelhos, desfaleci sobre teus pés e quis morar em teu ventre, pois lá era quente e já havia me cansado desses meus dias glaciais longe de você.
Onde eu quero chegar, você deve estar se perguntando, eu quero chegar a você, eu só quero chegar a você.
Não existe outra história, não existe outra razão, não existe mais nada. Há apenas o meu desejo, a minha vontade, há você e há nós duas, como servas e escravas de um destino que ainda não se resolveu, mas insiste em brincar com nossos sonhos e tece mantas infinitas de iniquidade com nossos cabelos que se prendem e se soltam sempre que o vento lhes envolve. Já não podemos padecer aos ramos da culpa, não podemos nos designar às vontades de quem nunca quis que fôssemos o que já somos, ou talvez quisesse, mas não nos avisou.
Há muita incerteza no absoluto, no fato consumado e em mim e em você. Somos qualquer coisa que não se explica e ainda usamos nomenclaturas vãs que nos fazem prisioneiras de nossos próprios caprichos, medos e inseguranças.
Nascemos para brindar o descabido, o sem uso, sem explicação. Nascemos para jogar sobre as cabeças o nosso veneno e mel que de tão doces, se confundem no sabor e efeito respectivamente.
Em meu coração fez-se um calo, deu-se um estalo. Você não viu? Abri a porta lateral da razão e deixei escapulir as rajadas de vento do meu desespero, da minha ânsia e assim em seguida, deixei escapar a minha fome de você.
Eu comi você, te devorei em seus traços, em seus brinquedos, em suas comédias, em seus pecados capitais.
Lambi suas vísceras, abracei seu colo, me fiz infame juntando suas veias às minhas.
Colori nossa plenitude. Deixei sangrar vazio o mundo que não estava pronto ainda para nos receber.
Amei você.
Quis me entregar, mas pisei no freio, pois duas entregas de uma vez, poderiam abalar estruturas de uma vida que já estava ruída.
Agora já passou.
O que havia de ser dito, foi regurgitado pelas entradas da minha garganta, pelo meu estômago atormentado e por algumas cavidades hiperativas do meu coração.
Aconteça o que acontecer, minha bela, nós somos livres para ir onde quisermos. Não há o que possa nos prender e eu te digo isso assinando a sua e a minha alforria.
Eu quero mergulhar no mar das certezas, sem ter que me afogar no rio da desilusão. Beberemos a água da fonte do esquecimento, mas por último vamos nos jogar no lago da memória.
Eu ainda não estou a fim de te esquecer e sinto que não foi pra isso que fui feita.
Meus desenhos começam e terminam nos movimentos de seus pequenos e indefectíveis dedos.
Estou ligada a sua energia e só apagarei uma vez que te puxem da tomada.
Só pulso quando você pulsa.
As linhas que demarcam as fronteiras dos meus territórios foram apagas e você me invadiu.
Estou sendo dominada, conquistada, agora já era.
Acabou-se.
Não mando mais em mim.
Foi bom enquanto eu tinha as rédeas de minha vida em minhas mãos.
Não posso mais me livrar de você uma vez que estou dentro de ti.
E eu aceito todo prazer e toda a dor.
É por uma causa.
É pela nossa causa.
Amor, eu já estou aqui. 

quarta-feira, 15 de maio de 2013


Sua estrela

Seus olhos estão me escondendo as suas vontades
Enquanto você se esforça pra me tirar dos seus pés
Eu me curvo e fico do tamanho do seu coração
Como quem se prepara para amanhecer na porta do céu
Eu quis te esperar para você seguir comigo
Pois não há mais nada se você não está comigo
Não há lugar onde eu possa ir se não estamos juntas
Eu precisava te ver hoje
Apenas para confirmar as minhas suspeitas
Agora já sei que te amo
Do alto de uma nuvem que passa sobre nossas cabeças
Lá em cima está o que eu quero te dar
A imensidão e a mansidão da minha vida
Meu perfume de amor
As cores que enfeitariam nosso altar
Eu vou embora para mais tarde voltar
Eu voltarei para te levar
Porque nossos olhos combinam
Nossas mãos se seguram
Nossos pés caminham
E eu não consigo querer mais nada
Não pode haver mais nada nesse mundo além nós
Entregues e soltas
Prontas para flutuar uma nos braços da outra
Eu disse que esperaria
Não consigo envelhecer te amando assim
Pois a cada dia me renovo
Você não vê?
A minha vontade é me transformar nos seus sonhos
Quero carregar o mundo numa mão e você na outra
Meu corpo é o melhor que eu posso dar
A minha vida será seu para-choque
Vou te proteger, meu amor
De todos os impactos
De todos os espinhos dos cactos
Viverei menos pra que você viva mais
Virarei estrela
Vou brilhar no seu céu
Você será sempre a mais bela
Você sempre será aquilo tudo que foi meu
Porque eu quis assim
E você também
Mesmo correndo para não querer...
Meu coração será seu paraquedas
Vai te segurar e te fazer voar
Pra que você nunca caia
Nunca caia
Nunca caia
E porque eu desejei assim 

terça-feira, 30 de abril de 2013

Gritos e sussurros fora da lei...

Sobre o que ninguém quer falar... 

Seguimentos estranhos, falhas, remendas e varizes na alma. Calma, estamos quase lá! Eis que de repente... Eu entendi tudo. Mas continuava sem saber muito bem qual era o meu papel, o nosso papel naquela história. 

Olha, não vou ficar aqui tentando quebrar minha cabeça, tentando montar peças de um quebra-cabeças que está longe de estar completo. Algo entre nós está faltando, está desaparecido, está perdido em algum lugar. Quem irá atrás dessas "peças"? Temos preguiça, lembra? Nosso fôlego é armazenado para outros tipos de atividades, você bem deve se lembrar... Como eu esqueceria, né? 

Certos contatos na minha opinião, nem sempre eram relevantes, entretanto, o grau de intensidade deles descreviam toda a situação de uma cena.: havia sangue, havia vítima, havia crime e havíamos nós, nuas, desfalecidas, empoeiradas, sujas, cansadas, unidas por um sentimento confuso, escuro, selvagem e maravilhoso. 

Me diz quando foi que nos conhecemos, eu gostaria de lembrar. Na verdade eu nunca me esqueci, mas gostaria de ouvir do seu ponto de vista. 
Bom, você vai dizer que foi casual, comum, banal até, mas sabemos que não foi, né? Qualquer coisa, menos banal. 
Fugimos uma da outra, mas nos buscamos nos detalhes e juramos para nós mesmas que não. E por que será? O que há de errado em seguir certas idéias? Sim, idéias, somos idéias, imaginação, devaneios, um sonho, pesadelo... Eu já não sei mais. 

Vamos falar de incoerência? Pois bem, não fazemos muito sentido e nos esfregamos nessa levada, seguimos o ritmo e nos alinhamos em volta de nossas cabeças, nossos punhos, nossas dimensões. 
Temos a culpa como a cabeça decapitada de alguém, que nos é entregue em uma bandeja de prata. Eu sinto, você sente, pegamos carona com o descompromisso, a falta de vontade, mas uma hora padecemos, nos entregamos, não resistimos mais. 

Havia algo guardado para nós, eu sei... Quando larguei a tua mão pela primeira vez, me vi rendida sem perceber, indo ao seu encontro, você estava me puxando com a boca e voltei a perdição da sua estrada. Na segunda vez em que larguei a sua mão, eu já estava aos seus pés, pois nem de pé eu conseguia ficar aquele momento, você sabe... Eu andava enfraquecida, doente, pueril e com traços de insanidade em meus olhos. 

Soltei as suas mãos várias vezes, mas continuei visivelmente atrelada às suas pernas, sim belas pernas! Só que depois de um tempo, o vício me cansou, a secura do deserto me entorpeceu, enfim segui meu rumo e virei dona de mim. Parecia um sonho, uma alegria fantasiosa, mas completa. Eu estava livre, livre, livre... Livre de você e de outras sanguessugas... Mas que destino cruel e implacável! Ele nos jogou na mesma cova, além de termos de enfrentar os mais de dez leões famintos que nos devorariam em segundos, tínhamos que lidar com a nossa própria fome uma da outra, com o desejo,  a ânsia, o impulso. E quem se seguraria por mais tempo? 
Não sei em que momento começamos a ceder à tentação da nossa libido, mas dessa vez alguma coisa ficou registrada, sabe? Alguma coisa se revelou, se abriu, se mostrou. Eu ainda era racional, ainda conseguia pensar antes de agir, mas com você de presente, eu realmente não sentia  necessidade de pensar em mais nada. 
Eu tive você assim, entregue, plena, sem censura, sem empecilhos, sem hesitar, sem se segurar. Você estava linda, solta, juvenil, parecia ter sido feita para caber em mim. Nos encaixamos profundamente e o fogo, a luz, o calor nos jogou para o vento...
Caímos da nuvem mais alta, da torre do prazer... Éramos o princípio da malícia, o desperdício do bom senso. 
Nos usamos tanto que quase nos desfizemos tamanha era a intensidade do nosso atrito. 
Colidimos nossas vontades, nos jogamos uma na outra sem misericórdia, sem piedade, apenas no ato, de quatro, por cima, por baixo, como deveria ser. 
Éramos fortes, potentes, enérgicas, eufóricas, nós nos espremíamos nos menores lugares e depois escorregávamos como se estivéssemos em um tobogã...
Caímos sobre a sua cama, sobre o seu sonho, o meu sonho, sobre tudo o que sabíamos de nós mesmas e nunca quisemos falar a respeito, pois éramos confidentes, tínhamos um pacto, tínhamos o que quiséssemos uma da outra, né?

Foi tão bonito, tão profundo, sem nexo, poético, visceral, qualquer coisa assim... E me deixei levar mais uma vez. Abri minha guarda, esqueci de me defender de você e fui nocauteada. Caí. 

 A minha queda não foi fatal, sabe? Eu já tive quedas piores. Na verdade foi um desequilíbrio, se é que você me entende. A gente se sente muito poderoso, no controle de tudo e para de se defender, e então acabamos sendo atingidos, feridos e tal. Eu vou admitir, você me lesionou, mas assumo que permiti e nem sei por quê. O mais engraçado disso tudo é que não dói, apenas me mostra que temos tudo às nossas mãos e não seguramos, pois ainda não estamos preparados e temos medo. 

Então vamos continuar fugindo uma da outra? Será essa a solução? Um dia você corre, outro dia eu corro e de repente, lá na frente, num desses encontros casuais, nos esbarremos, nos atraquemos e voltemos a sucumbir diante do nosso desejo mais uma vez. Eu acho mais gostoso assim. Mas pode ser que ele passe, que o tempo esfrie tudo e congele os nossos sentimentos, mas eu não tô nem aí. 

O que torna as coisas especiais entre nós, é o fato de não nos programarmos para nada, ficamos a mercê do acaso, do destino e assim somos domadas.

Você às vezes me dói como um espinho venenoso, me adoece, mas meu organismo já aprendeu a lidar com seu veneno. Minha cicatrização hoje é bem mais rápida... 


E o que devemos fazer agora? Nada. Nada mesmo, pois os atos atropelam as histórias. Não estamos aqui para construirmos nada, apenas queremos aproveitar o que já temos... De alguma forma estranha, nos temos, mas não podemos e assim segue. 

Sem melodramas, sem bla bla blas, sem mimimis, eu gosto das coisas assim... E vamos parar de aumentar os acontecimentos e super valorizar situações. Não somos mais crianças, ou pelo menos não deveríamos mais ser. 

E o que eu sinto, não mudará, só vai mudar quando eu quiser...

Desta vez a culpa não foi sua, foi do castigo em que coloquei meus olhos, eu lhes castiguei olhando para você.


Até breve...


Mas cá entre nós, eu realmente gosto de ti... E lembre-se, somos as perfeitas vira-latas dessa cidade... 


x)

sexta-feira, 27 de julho de 2012

"(...) Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir e rir."

Mais um dia, mais um ano, meses jogados, dívidas existenciais atrasadas e eu continuo sem você... Sabe como? Continuando... Não há um lamento, uma tristeza, um vazio, um eco, há apenas as reticências, os espaços, a não pontuação que ficou em algo que eu nunca soube muito bem nomear.

O que eu via em você, era um fogo, uma chama, um maçarico. Eu não via festa, fogos de artifícios, purpurinas, nem nuances de cores mágicas, eu apenas via seu rosto, via o reflexo que ele esboçava quando encontrava o meu rosto. Disso eu lembro com perfeição, como se fosse exatamente agora...

Eu juro que não imaginava nada, ainda que já estivesse tudo explicitamente anunciado diante dos olhos do mundo e talvez até dos meus. Eu nem sequer quis reverter nada, nunca quis que as coisas deixassem de ser como de fato eram, pois poderia alterar o nosso paladar e isso não seria poético. Será que você me entende? 

Talvez, é bem provável mesmo que nunca lhe possa dizer tais palavras que estão costuradas há meses em minha garganta, mais que isso, estão tatuadas no meu coração, em cárcere na minha memória. Há algumas semanas andei vomitando meu orgulho e vivi a amnésia no meu ego para que tudo pudesse enfim se esclarecer dentro de mim, para que assim eu jogasse toda essa verdade para você. 

Você não vai saber hoje, nem agora, mas quem sabe tudo mude... Eu antes não sabia, ou não queria saber, era muito cedo, era muito tarde. Meus ossos doíam, minha carne sangrava, e eu escorria, eu ardia, era tudo febril demais, intenso demais e não  cabiam tantas efervescências na palma de sua mão, assim, de uma vez só.


Não sei bem ao certo se nas vezes em que deitávamos lado a lado na cama, em que nossos corpos se tomavam por uma quentura inflamável, que nos causava aquela combustão instantânea que quase carbonizava nosso juízo, se você conseguia absorver a verdadeira temperatura de tudo aquilo que estava entregando a você. Havia muita magia, muita intenção, muita vida, muito de mim. Eu fui me entregando a você aos poucos e fiquei tão pequenina em mim, que quando nos apartamos, eu quase não existia mais, estava tudo aí, com você. 

Eu fui a vítima mor do meu orgulho, da minha podre vaidade e quis mostrar a você toda a carniça da minha alma, fui ao meu ínfimo, quis lhe causar as mesmas sensações que eu propriamente já estava sentindo e foi tudo inútil. Nem sequer lhe arranhei a pele, que dirá o coração. Era inoxidável, ou pelo menos a sua blindagem era melhor que a minha. Eu fiquei pelo caminho e você seguiu o seu, do seu jeito, na sua ideia fixa e eu repudiei seus passos com cada centímetro do meu ser amargurado.


Será que você viu? Será que alguém viu? Eu quis esconder, não sentir, não mostrar, sequer pensar. Não queria que fosse e me convenci por um bom tempo que não era e talvez não tenha sido, não sei bem, eu não sei! Ahhhh! Tá vendo? Você me confunde até hoje, sua sádica maldita, esquisita, louca e que sabe-se lá por que é a mulher que eu amo e que de tão excêntrica, absolutamente atípica, é linda demais!

A gente descobre o que é amor, quando passa a amar alguém pelos seus piores defeitos. E eu vi a carniça da sua alma também e quase fui jantá-la. Mas eu fiz tudo errado, gata, eu me perdi, me transtornei. Não conseguia conceber a ideia não lhe ter mais, pois eu sabia de alguma forma bem distorcida e obscura que eu seria sempre sua, e provavelmente esse sempre seria muito longo, tão longo que nove meses depois nasceu, hoje está em meu braços e tem seu nome...


Posso falar agora? Já está na hora? Então lá vai... Eu te amo, porra! 

E você nem vai saber isso, talvez porque não mereça, talvez porque algo cale minhas palavras antes que lhe encontre, ou porque alguém me distraia, me impeça de lhe jogar mais uma vez essa verdade inacreditável. 
Não sei, não vou lutar por você e nem por esse insistente amor, mas também não impedirei-o de existir dentro de mim, pois reprimir um sentimento tão torrencial poderia causar o esmagamento de minha razão.


Eu sei lá, mas quero que você seja feliz, assim como eu também desejo ser feliz. Eu morro de medo de você e do que você me fez sentir desde o começo. Não é estranho? Não é gozado? Logo eu, a destemida Michelle Valle, que já viu o inferno várias e várias vezes, que luta contra seus demônios, ter medo logo de uma garota como você que aparentemente não oferece perigo algum a este plano astral? Você me mata de medo, me arrepia, invade meus sonhos, como um bicho-papão. Os medos que adquiri na infância, na minha fase adulta, foram inteiramente transferidos para você. Seu nome é o som que me assombra até hoje. É como se antes de chamar qualquer pessoa, o seu nome chegasse na frente. Você está vendo? É surreal. 

Poderia parecer uma obsessão, um transtorno, uma psicose, mas não é, pois estou aqui pensando, me distraindo, me cuidando, me elevando. Sinto o que tenho que sentir, por quem tenho que sentir, na hora certa e pronto!


Linda, preciso ir, preciso terminar esses dizeres que parecem ser na maioria das vezes infinitos. Se algum dia, qualquer coisa não der mais certo na sua vida, como um sol que venha nascer mais escuro, uma noite que tenha menos estrelas, um mar que não se renove, uma lua que não brilhe, lembre-se que no mundo ainda há alguém que pode reverter cada uma destas situações e ainda pode te levar para a via-láctea, assim, num piscar de olhos. Apenas usarei o poder do que sinto se você aprender a sossegar, você irá ver e sentir cada dessas palavras. Eu ainda tenho esperança em você. 


Sei que o tempo que nos foi proporcionado foi absolutamente curto para qualquer coisa aparentemente, mas ele foi o suficiente para que eu visse algo em você e sentisse exatamente essas coisas que hoje narro. 



Apenas isso...


"Eu gosto das pessoas pelo prazer de gostar e não porque deu tempo de gostar delas."


"Se ela te fala assim, com tantos rodeios
É pra te seduzir e te ver buscando o sentido
Daquilo que você ouviria displicentemente 
Se ela te fosse direta, você a rejeitaria."





quarta-feira, 18 de julho de 2012

"...Sem carinho, sem coberta, num tapete, atrás da porta..."

Pois bem, ainda não sei como, talvez duvide de tudo que me cerca, inclusive de mim mesma, mas quero ainda descobrir que porra é essa! Não faz sentido, me irrita, está tudo junto, misturado, aglutinado, me encanta, me enjoa, me eleva, faz de tudo comigo, mas não me deixa entender. Preciso de respostas e já!


Começo a procurar fora de mim indícios de um lugar, um caminho que me leve para aquilo que dentro de mim se escondeu, quero ver pelo mundo a fora, onde anda o pedaço meu que saiu para comprar cigarros provavelmente e nunca mais voltou. Eu estou fadigada de estar aqui e não permanecer em lugar algum. Não são dramas, nem complexidades trazidas por mim, apenas estou buscando a verdadeira Michelle A. Valle nessa confusão que chamo de vida.


Hoje pensei, engoli a seco, deixei as lágrimas correm minha face a baixo e descobri que há muito mais para ser arrancado de dentro de mim do que imagino. Há um acúmulo de ideias, esperanças, sonhos, lembranças, passados e mais passados. É como se no fim, nada e nem ninguém fosse embora de verdade, a vida e a juventude dos corpos se vão, mas o arcabouço fica dentro de mim, se fossilizando, e quando vem a primeira leva de terremoto emocional, tudo vem a tona, inclusive o miasma dos cadáveres que levaram um bom tempo para entrar em decomposição, até chegarem aos ossos, fósseis enfim...


Como não podia saber pelo que chorava, ou o que lamentava? Ora, a melancolia era minha e eu tinha o direito de deixa-la passear por dentro de mim, como a mesma sempre fez. Queria ao menos saber se ela tinha alguma novidade dessa vez, pois me cansei das incógnitas, dos mistérios, das esfinges apresentadas a mim, com a mais clichê das frases: decifra-me ou te devoro. Eu devorei a minha ânsia de querer saber mais do que me era permitido de fato. Eu me engoli.


Parece fácil e é, mas não é tão prático assim. Tudo tem um peso diferente quando se analisa pelo ângulo interno, como eu. É meio que assim: quem está de fora, banaliza, faz pouco caso, não vê relevância e julga ser capaz de passar por certas situações sem pestanejar. Já quem está pelo lado de dentro, sua frio, treme na base, pensa em mil maneiras de trabalhar as ideias, de contornar, mudar, superar, de fazer tudo de uma maneira onde a dor seja inexistente, ou suportável e que o sucesso seja o cume da montanha, mas sabemos que quando estamos no começo da escalada, a montanha sempre cresce. A força é uma coisa que precisa vir de dentro e ela só virá, quando não mais tivermos aquele repertório de desculpas prontas e esfarrapadas, para tentar justificar aquilo que muito bem não flui. A gente só vai pra frente, quando não nos resta mais outra saída, senão andar, ainda que a força.


Somos seres conformados e mimados, estamos acostumados a acreditar que as coisas irão se ajeitar sozinhas, mas não é bem assim. O que acontece é que se você não faz, alguém mais bem disposto fará, sendo que a ação deste indivíduo poderá ou não lhe ser aproveitável, e poderá assim lhe causar deletérios. Portanto não é bom arriscar. Eu costumo ver pessoas inertes (como eu), que por permanecerem grande parte das vidas delas esperando as coisas que mais querem, cair do céu, quando não obtém o "pomo da discórdia" desejado, acabam culpando as circunstâncias, que coitadas, são paus-mandadas daqueles que sabem arregaçar as mangas e trabalhar as suas vidas, por medo de morrerem  na inutilidade.


Está vendo? É fácil saber o que me falta, difícil é entender por que ainda não fui lá mudar as coisas, virar tudo de cabeça pra baixo e me tornar rainha de mim. 




Eu sou um ser absolutamente estranho que ainda não aprendeu a lidar consigo mesmo. Neste plano, os sentimentos e as sensações são muito mais fortes, são intensas e coisas pequenas, de baixa importância, parecem a explosão de bombas atômicas dentro de uma casa na árvore. 


Eu penso que poderia enlouquecer, mas acho que já nasci louca.




E que Deu me ajude hoje e sempre.




Procuro por fim, um mundo onde as pessoas sejam de verdade e não tenham medo ser assim, reais.



terça-feira, 10 de julho de 2012

E respira sob a minha pele, deita, dorme e acorda escondida em algum lugar do meu corpo que ainda não pude identificar. Ainda está aqui e prefere brincar de se esconder, tem medo de ser descoberta.


Nos meus dias mais afins vem me mostrando que eu não tenho domínio sobre meus sentimentos, esses vão e vem e não me dão nenhuma explicação...


Quanta coisa ficou aqui, guardada, um grito preso, uma lágrima foi parada, um sangramento estancado e a Michelle foi interrompida, ficou pela metade, no meio das horas querendo dizer e lhe levaram as tais palavras. Hoje ela se procura, se questiona e ainda não tem a sentença, a resposta, o nome do seu problema. É tudo tão instável, tão inconstante e ela quer ser permanente, ela quer se estender e nada é contínuo em sua vida, a não ser as expectativas quebradas, o laços desfeitos, transformados e nós cegos que impedem a circulação das suas emoções e lhe causam gangrena na alma... E assim ela acaba tendo pedaços do seu coração amputado...


Eu preciso de tempo, de tempo do tempo, para as horas, os minutos, para que os meus ponteiros se encontrem, se entendam enfim. Tudo está na mais perfeita ordem agora, mas subitamente pode deixar de estar e aos poucos vou me preparando para os colapsos da vida. Tudo para mim tem peso diferente, sabor diferente, aparência diferente e não é porque eu escolhi isso, nunca quis me fazer "especial", mas naturalmente, espontaneamente, eu sou diferente e isso tem me regido desde a minha formação...


Estou no meio do caminho, olhando para a estrada, há uma bifurcação, há destinos a serem escolhidos, mas não tenho pressa de nada, pela primeira vez, eu quero ir devagar, quero sentir em meu corpo, a energia, a vivência de cada passo dado, seja para onde for, não quero escolher um caminho, eu quero viver plenamente a minha história, quero me enxergar em cada esquina, em cada curva. Eu preciso e muito de mim, só agora me entendo mais, pois me dignei a me conhecer melhor. Quero ir pra qualquer canto, mas por enquanto, vou dando voltas por aí, para conhecer melhor a região. 




Vale a penar se permitir, vale a pena viver para si. 




Estou aprendendo a respeitar o meu tempo, os meus momentos. Cansei de viver de urgências...